A Montanha Mágica de Thomas Mann irá mudar completamente a sua percepção de tempo e não se trata de uma releitura do antológico Carpe Diem, só é uma nova forma de viver o presente, recordar o passado e imaginar o futuro. Mas, antes que autor dê inicio ao romance, o prefácio anuncia a pretensão de narrar a vida de Hans Castorp, um jovem engenheiro internado num sanatório dos Alpes Suíços. Contudo isso não pode ser feito num piscar de olhos, nem mesmo no decorrer de sete dias de uma semana O alerta pode assustar leitores mais ansiosos, mas desperta a curiosidade dos pacientes.
Caso você esteja no segundo grupo irá deparar-se com uma narrativa lenta dedicada em cada detalhe e descrição de cada objeto e sensação como se tudo fosse novo, inédito e único. Como um típico Bildungsroman (narrativa que percorre toda a trajetória do personagem) a estória se passa como nos nossos primeiros anos de vida em que tudo realmente é novo, mas ao fim do quinto capítulo se passou um ano da vida de Hans Castorp e a partir daí o romance segue de maneira breve, fugaz e rápida. O protagonista já não pode diferenciar os dias, as horas e minutos. Tomado pela monotonia da rotina os dias se somam uns aos outros e um ano não é mais que uma lembrança perdida na memória e na maturidade mal percebe quanto tempo passou entre o aniversário de 30 e 40 anos.
Mas, o ponto alto da obra são as reflexões filosóficas de Hans Castorp e os debates entre os personagens: Settembrini um típico humanista e Naphta que dá voz ao racionalismo, porém, mais que debates metafísicos a obra nos dá um panorama do pós-guerra de uma Europa sem identidade onde regimes totalitários e posições extremistas é pauta dos debates, um verdadeiro prelúdio da Segunda Grande Guerra. Todavia, não há descrição, debate ou reflexão que recheie 960 páginas e para tanto o romance é completo com diversos pontos culminantes e na medida em que o autor apresenta um retrato histórico também desenvolve a formação do protagonista.
E por isso tudo que essa obra figura entre as melhores do mundo, um livro divisor de águas não só de um estilo literário ou de uma época, mas irá dividir a sua vida em antes e pós Montanha Mágica será a hégira de sua trajetória e pode lhe mostrar que leitura é mais que uma forma de passar o tempo (...) é uma maneira de aproveitá-lo.
A persistência da memória é sem dúvida a obra mais famosa de Salvador Dali, que nos apresenta um tempo estático e maleável, contrario a qualquer concepção anterior a esta. A obra registra dois momentos históricos; o primeiro momento se refere a teoria da relatividade de Einstein que propõe um tempo maleável e relativo. O segundo momento foi pós Hiroshima em que os relógios da cidade ficaram estáticos e derretidos pela bomba. A imagem oferece um detalhe da obra que segundo Dali foi concebida em apenas 2 horas.
O Espaço continuo de tempo tem sido uma grande fonte de inspiração para filósofos, pintores e poetas dentre os quais Shakespeare foi quem teve a percepção mais lírica e sensível diante deste titã que a tudo consome e diz em um de seus sonetos.
Quando a hora dobra em triste e tardo toque E em noite horrenda vejo escoar-se o dia Quando Vejo esvair-se a violeta Ou que a prata preta a têmpora assedia
Quando vejo sem folhas o tronco antigo Que ao rebanho estendia sombra franca E em feixe atado o verde trigo Segue ao carro, a barba hirsuta e branca
Sobre tua beleza então questiono Se a há de sofrer do tempo a dura prova Pois a graça do mundo em abandono
Morre ao ver nascendo a graça nova E contra a foice do tempo é vã combate Salvo a prole se o enfrenta e abate.
tempo1 [Do lat. tempus, pela f. tempos, que foi sentida como um pl. port. de que se tiraria um singular.] Substantivo masculino.
1.A sucessão dos anos, dos dias, das horas, etc., que envolve, para o homem, a noção de presente, passado e futuro: o curso do tempo; O tempo é um meio contínuo e indefinido no qual os acontecimentos parecem suceder-se em momentos irreversíveis; “O tempo .... Horas de horror e tédio da memória...” (Manuel Bandeira, Estrela da Vida Inteira, p. 41).
2.Momento ou ocasião apropriada (ou disponível) para que uma coisa se realize: Não tive tempo para ler os jornais; Ainda é tempo de reconsiderar sua decisão.
3.Época (3): “O que se usava nesse tempo, como tratamento de respeito mais comum, ainda mesmo entre namorados de menor intimidade, era senhor e senhora.” (Miécio Tati, O Mundo de Machado de Assis, p. 134.)
4.As condições meteorológicas: O tempo está bom.
5.Estação, quadra: o tempo da colheita; o tempo da estiagem.
6.Certo período, visto do ângulo daquele que fala, com quem se fala, ou de quem se fala; época: No meu tempo o colégio tinha poucos alunos; Isso não é de teu tempo; No tempo dele as coisas eram outras.
7.O período em que se vive; época, século: É homem de seu tempo.
8.E. Ling. Cada um dos conjuntos de formas flexionadas em que se subdivide a conjugação de um verbo. [Embora tenha como princípio organizador a localização de uma situação em relação ao momento da fala, pode também traduzir aspecto (8) ou modo (9), como se depreende de termos da Nomenclatura Gramatical Brasileira: pretérito (indicação de tempo) perfeito (indicação de aspecto).]
9.E. Ling. A expressão gramatical da noção de tempo.
10.E. Ling. Período de tempo durante o qual uma unidade de fala é pronunciada.
11.Esport. Cada um dos períodos em que se dividem certas partidas: Os jogos de futebol compreendem, em regra, dois tempos.
12.Fís. Coordenada que, juntamente com as coordenadas espaciais, é necessária para localizar univocamente uma ocorrência física.
13.Mús. Cada uma das partes, em andamentos diferentes, em que se dividem certas peças musicais, como a sonata, a suíte, o quarteto, etc.; movimento.
14.Mús. Andamento (4).
15.Mús. Duração de cada uma das unidades do compasso: compasso de dois tempos; compasso de três tempos.
Tempo absoluto. 1. E. Ling. Tempo (9) que localiza uma situação em relação ao momento da fala, isto é, ao presente. [Basicamente, os tempos absolutos são o presente, em que se dá o ato de fala, o passado, que localiza uma situação como anterior ao presente, e o futuro, que localiza uma situação como posterior ao presente.]
Tempo astronômico. 1. Astr. Intervalo de tempo medido segundo as convenções da astronomia.
Tempo civil. 1. Astr. Tempo cuja origem é deslocada de 12 horas em relação ao tempo solar médio.
Tempo compartilhado. 1. Inform. Designação de uma modalidade de processamento em que o tempo do processador é dividido entre as tarefas em execução. [Cf. multitarefa.]
Tempo composto. 1. E. Ling. O que se conjuga com um verbo auxiliar: tenho dito.
Tempo da janambura. 1. Bras. V. tempo do Onça.
Tempo da salga. 1. Bras. AM Época em que se pesca e salga o pescado.
Tempo das efemérides. 1. Astr. Tempo cuja medida se baseia na duração do ano trópico de 1900, e que é independente da rotação terrestre.
Tempo das vacas gordas. 1. Período de prosperidade, abastança, riqueza.
Tempo das vacas magras. 1. Período de escassez, pobreza, penúria.
Tempo de acesso. 1. Inform. Intervalo de tempo entre o instante em que se pede um tipo de manipulação com dados (leitura ou gravação de dados) em um dispositivo de armazenamento, até o instante em que o resultado dessa manipulação é fornecido (disponibilidade ou gravação de dados); tempo de entrada.
Tempo de coagulação. 1. Hemat. Período de tempo necessário para que ocorra coagulação de sangue contido em tubo de vidro.
Tempo de D. João Charuto. 1. Bras. V. tempo do Onça.
Tempo de entrada. 1. Inform. Tempo de acesso.
Tempo de Friedmann. 1. Cosm. Lapso de tempo decorrido desde o bigue-bangue. [O tempo de Friedmann deve ser corrigido do parâmetro de desaceleração (q. v.), ao contrário do tempo de Hubble, que considera apenas a constante de Hubble.]
Tempo de geração. 1. Fís. Nucl. Num reator nuclear, tempo médio necessário para que os nêutrons produzidos numa fissão provoquem novas fissões.
Tempo de Hubble. 1. Cosm. Idade estimada do Universo com base no bigue-bangue. [Para um valor da constante de Hubble H0 = 55km por segundo por megaparsec, o tempo de Hubble é de H0-1 = 17,7 x 109 anos.]
Tempo de projeção. 1. Cin. Tempo decorrido na projeção de um filme; duração. [Cf. metragem (3).]
Tempo de relaxação. 1. Fís. Intervalo de tempo necessário para que um sistema afastado de sua posição de equilíbrio retorne a essa posição sem a ação de agentes externos.
Tempo de residência. 1. Eng. Ind. Intervalo de tempo em que um material permanece no interior de um componente determinado de um equipamento.
Tempo de resolução. 1. Fís. Num dispositivo contador de impulsos, intervalo de tempo mínimo que deve separar dois impulsos consecutivos para que o dispositivo os registre como dois acontecimentos distintos.
Tempo de resposta. 1. Inform. Tempo transcorrido desde o instante em que uma mensagem é gerada num terminal (q. v.), até o instante em que é recebida a correspondente mensagem de resposta. É o tempo que um sistema precisa para reagir a uma determinada entrada.
Tempo de sangramento. 1. Hemat. O período de tempo que dura a hemorragia que é provocada por punção, padronizada e controlada, em área escolhida, como, p. ex., lobo de orelha.
Tempo de vida. 1. Quím. Tempo necessário para que se reduza a 36,79% a concentração de uma substância ou a intensidade de um fenômeno.
Tempo de vôo. 1. Fís. Part. Tempo decorrido entre o instante em que uma partícula deixa uma fonte e o instante em que ela atinge o detector.
Desabar o tempo. 1. Bras. Pop. Chover forte.
De tempo a tempo. 1. De quando em quando; de vez em quando; de vez em vez; de tempo em tempo; de tempos a tempos.
Em dois tempos. 1. Muito rapidamente; num abrir e fechar de olhos.
Em tempo de. 1. Em risco de; a ponto de; a pique de: “Começou a dançar sozinha diante do mar, em tempo de ser engolida pelas ondas.” (Aníbal M. Machado, Histórias Reunidas, p. 189.)
Em tempo recorde. 1. Bras. O mais depressa possível; acima de qualquer prognóstico de tempo:
Fechar o tempo. 1. Bras. Fechar-se o tempo. Fechar-se o tempo. Bras. 1. Escurecer, ameaçando chuva. 2. Fig. Ter início um motim, uma desordem, uma briga. [Tb. se diz fechar o tempo.]
Ganhar tempo. 1. Adiar ou delongar a solução de um caso, a tomada de uma providência, etc., à espera de melhor oportunidade: Não podendo vencer a batalha, ganhou tempo até que chegassem reforços.
Lutar contra o tempo. 1. Tentar terminar uma tarefa, etc., antes que o tempo a ela destinado se esgote.
Matar o tempo. 1. Empregá-lo em ocupações que servem tão-só para evitar o tédio e a inação; distrair-se; recrear-se.
Não ter tempo nem para se coçar. 1. Não dispor de tempo para coisa alguma; andar atarefadíssimo.
Nesse meio tempo. 1. Nesse ínterim; entrementes.
Perder o tempo e o latim. 1. Aconselhar, pedir, argumentar ou explicar-se em vão.