As palavras no mundo virtual ganham um ar gringo criptografado, pois são raras as oportunidades em que o usuário irá se deparar com uma palavra em língua portuguesa, a não ser é claro, que este esteja em Portugal e encha a boca chamar seu mouse de rato. No mais é bom ter um dicionário sempre a mão para não se atrapalhar, entre um windows e um browser numa conexão dial-up, brandlarge ou rede wireless. Em contra partida aos termos estrangeiros estão as inúmeras siglas que se reproduzem numa velocidade alucinante de ASP a ZIP e tornam esse mundo cada vez mais dinâmico para quem usa e complexo pra quem trabalha.
Nossa vida é cheia de substantivos comuns, cotidiano insosso e feita cada vez menos do reino farto das palavras.
Deveríamos usar mais adjetivos para definir nosso mundo, sendo bons ou ruins, pois as palavras ultrapassam os limites de significação.
O que pode ser pra mim, pode não ser para o meu vizinho, use as palavras para discutir ou para agradecê-los por recepcionar aquela tão esperada correspondência enquanto viajava a negócio.
Afinal, mas que negócio é esse de usar as palavras?
Respondo essa pergunta com palavras, percebe?Elas fazem parte daquele cotidiano insosso que citei acima, fazem parte da vida de um surdo-mudo, ou até de um cão, que para ser domado, tem de ouvi-las.
Conjugue todos os verbos possíveis, faça das palavras, figurinhas. Troque as repetidas, e colecione o máximo que puder.
Escolha uma vida Escolha um emprego Escolha uma carreira, uma família. Escolha uma televisão grande... Maquina de lavar, carros, cd player, abridor de lata elétrico. Escolha saúde, colesterol baixo, seguro dentário. Escolha prestações fixas para pagar. Escolha uma casa. Ter amigos. Escolha roupas e acessórios. Escolha um terno feito do melhor tecido. Se masturbar domingo de manhã pensando na vida. Sentar no sofá e ficar vendo televisão. Comer um monte de porcarias. Acabar apodrecendo. Escolha uma família e se envergonhar dos filhos egoístas, que pôs no mundo para substituí-lo. Escolha um futuro Escolha uma vida.
Chupinhado do Filme Trainspotting - Sem Limites do Diretor Danny Boyle
Para estrear o blog de boca cheia vos ofereço este breve poema da filósofa e poetiza Viviane Mosé, da qual sou um eterno fã de tempos anteriores ao “Ser ou não ser”, quadro que lhe rendeu notoriedade no fantástico.
A palavra é uma roupa que a gente veste. Uns usam palavras curtas. Outros usam roupa em excesso. Existem os que jogam palavra fora. Pior são os que usam em desalinho.
Uns usam palavras caras. Poucos ostentam palavras raras. Tem quem nunca troca. Tem quem usa a dos outros. A maioria não sabe o que veste. Alguns sabem mas fingem que não.
E tem quem nunca usa a roupa certa para a ocasião. Tem os que se ajeitam bem com poucas peças. Outros se enrolam em um vocabulário de muitas . Tem gente que estraga tudo que usa.
E você, com quais palavras se veste? Com quais palavras você se despe?