[Do lat. muliere.] Substantivo feminino. 1.O ser humano do sexo feminino. 2.Esse mesmo ser humano considerado como parcela da humanidade: os direitos da mulher. 3.A mulher (1) na idade adulta. 4.Restr. Adolescente do sexo feminino que atingiu a puberdade; moça. 5.Mulher (1) dotada das chamadas qualidades e sentimentos femininos (carinho, compreensão, dedicação ao lar e à família, intuição): Como mulher, sabe apoiá-lo na justa medida. 6.A mulher (1) considerada como parceira sexual do homem. 7.Cônjuge do sexo feminino; a mulher (1) em relação ao marido; esposa. 8.Amante, companheira, concubina. 9.Mulher que apresenta os requisitos necessários para um determinado empreendimento, para um determinado encargo: mulher de negócios. 10.Uma mulher (1) qualquer; dona: Quem telefonou? | — Uma mulher. [Aum., nas acepç. 1, 3 a 6: mulheraça, mulherão e mulherona.]
Mulher da sociedade. 1. A que freqüenta a alta sociedade e conhece seus hábitos e costumes. Ser como a mulher de César. 1. Ser mulher de reputação inatacável.
O ponto é a unidade mínima do design de onde nasce a linha que cria a forma que ganha configuração, cor e dimensão. Mas tudo começa no ponto de partida.
[Do lat. punctu.] Substantivo masculino. 1.Picada produzida com a agulha que se enfia no tecido, couro, plástico, etc., para passar o fio de costura, bordado, etc.: Só faltam alguns pontos para terminar o vestido. 2.Porção de linha compreendida entre dois furos. 3.P. ext. Cada uma das laçadas de linha ou de lã feitas no tricô ou no crochê; malha. 4.Designação comum aos diversos tipos de nós ou laçadas feitos com agulha ou sem ela em renda, macramé, etc. 5.Cerzidura em meia ou em tecido. 6.Pequeno sinal semelhante ao que a ponta de um lápis imprime no papel: Os pontos pretos indicam, no mapa, cidades principais. 7.Sinal de pontuação com que se encerra um período; ponto final. 8.Sinal idêntico, usado em abreviaturas [ponto abreviativo] e sobre o i e o j. 9.Manchazinha arredondada: A alergia deixou uns pontos vermelhos na pele da criança. 10.Lugar fixo e determinado: Não sei em que ponto do mapa fica essa cidade. 11.V. ponto de parada (1): Costuma tomar o ônibus naquele ponto. 12.Livro, cartão, folha, onde se registra a entrada e saída diária do trabalho: Esqueceu-se de assinar o ponto; Bateu o ponto na hora exata. 13.Cada um dos espaços em que está dividida a craveira do sapateiro ou a do luveiro: O sapato deve ser maior um ponto. 14.P. ext. Fig. Grau pelo qual se mede algum valor, por acréscimo ou diminuição: As relações entre eles não melhoraram um ponto. 15.Cul. Grau de consistência que se dá ao açúcar em calda. 16.Cada um dos pontos ou pintas marcadas nos dados, peças de dominó, etc., e que lhes indicam o valor. 17.Unidade de valor relativa a cartas de baralho ou a outros elementos de certos jogos: No biriba o ás vale 15 pontos. 18.Cada uma das unidades que, numa competição, se obtêm como vantagem sobre o adversário: Pela contagem de pontos, o Flamengo estava em primeiro lugar no campeonato carioca. 19.Cada uma das unidades de um número variável que se convenciona tomar como objetivo em certos jogos: uma partida de bilhar em 100 pontos; uma partida de biriba em 2.000 pontos. 20.Em certos jogos de azar, como, p. ex., a loto, o bingo, a loteria esportiva, cada uma das unidades marcadas pelo jogador, segundo normas fixadas para atingir um total preestabelecido, sem o qual não é possível vencer: Muitas pessoas fizeram os 13 pontos exigidos para ganhar na loteria esportiva. 21.Em certos jogos de azar, como o bacará, o grupo de pessoas que jogam contra a banca (8), ou as cartas tiradas contra esta. 22.Sinal que se dá para marcar o tempo: Ao ponto dado, os cavalos arrancaram. 23.Unidade que, nas bolsas de valores, exprime a variação dos índices [v. índice (9)]: Estes papéis subiram cinco pontos em um mês. 24.Grau de merecimento (em lição, exame, comportamento, etc.): O professor tirou-lhe um ponto na nota. 25.Parte de um assunto, de uma ciência, arte, etc.: Pontos importantíssimos da psicologia foram abordados por Freud. 26.P. ext. Em exames ou concursos, a matéria tirada à sorte para sobre ela responder ou discorrer o aluno ou o candidato: Estudara bem o ponto sorteado, e fez ótimo exame. 27.Teatr. Auxiliar de cena que, fora da vista do público, vai recordando aos atores, em voz baixa, suas respectivas falas; apontador: “era o ponto; um homem colocado naquele alçapão, coberto por uma pequena cúpula, bem em frente do palco, encarregado de dizer para os artistas o que eles deviam repetir em cena.” (Brito Broca, Memórias, p. 91). 28.Fig. Assunto, matéria: Não é esse o ponto em discussão. 29.Fig. Grau de adiantamento, altura em que se acha algum trabalho, empreeendimento, etc.: Em que ponto anda o livro que você está escrevendo?; Não sei em que ponto está o divórcio de X. 30.Fig. Lance; momento. 31.Caso, problema ou questão importante, em que se tem vivo empenho: O ponto é lutar, lutar até vencer. 32.Fig. Termo, fim; parada, suspensão; ponto final: Morreu, chegou ao ponto do seu padecimento; É preciso pôr um ponto nessa mania de criticar os outros. 33.Cir. Porção de fio firmada por um nó, deixada numa estrutura (8) ou num órgão depois de se efetuar a introdução e retirada da agulha que a conduzia, a fim de promover a união dos tecidos. [Pode ser ou não removido, conforme a natureza ou a situação do material empregado.] 34.Geom. Configuração geométrica sem dimensão, e que se caracteriza por sua posição; ponto geométrico. 35.Geom. Elemento com que se definem axiomaticamente as propriedades dum espaço. 36.Marinh. Cada um dos modos por que se entretece um fio ou uma linha para coser lona ou outro tecido utilizando agulha de coser. 37.Mús. A célula primária da notação neumática. 38.Mús. Régua de madeira escura, que acompanha a forma e o comprimento do braço dos instrumentos de cordas, e sobre a qual os dedos do executante comprimem as cordas. V. trasto. 39.Náut. A posição, na carta náutica, de uma embarcação que está navegando. 40.Pint. Pequena mancha de cor. [Cf. pontilhismo.] 41.Tip. Unidade tipométrica básica (a sexta parte da linha) equivalente a 0,3759mm no sistema Didot e a 0,351mm no sistema anglo-norte-americano. 42.Telev. Teatr. Cin. Recurso utilizado para passar a ator, apresentador, locutor, etc. — durante a apresentação de espetáculo ou de programa de TV — deixa, orientação, texto de script, etc. [Cf., nesta acepç., dália2.] 43.Bras. Lugar, geralmente nas vias públicas, onde artigos ou serviços estão à disposição do freguês: ponto de jornais, de frutas; ponto de táxi. 44.Bras. Rel. Ponto cantado (q. v.): “Pontos de macumba, em um outro canto, ao som do violão.” (Adonias Filho, Luanda Beira Bahia, p. 57.) 45.Bras. Rel. Ponto riscado (q. v.).
A Montanha Mágica de Thomas Mann irá mudar completamente a sua percepção de tempo e não se trata de uma releitura do antológico Carpe Diem, só é uma nova forma de viver o presente, recordar o passado e imaginar o futuro. Mas, antes que autor dê inicio ao romance, o prefácio anuncia a pretensão de narrar a vida de Hans Castorp, um jovem engenheiro internado num sanatório dos Alpes Suíços. Contudo isso não pode ser feito num piscar de olhos, nem mesmo no decorrer de sete dias de uma semana O alerta pode assustar leitores mais ansiosos, mas desperta a curiosidade dos pacientes.
Caso você esteja no segundo grupo irá deparar-se com uma narrativa lenta dedicada em cada detalhe e descrição de cada objeto e sensação como se tudo fosse novo, inédito e único. Como um típico Bildungsroman (narrativa que percorre toda a trajetória do personagem) a estória se passa como nos nossos primeiros anos de vida em que tudo realmente é novo, mas ao fim do quinto capítulo se passou um ano da vida de Hans Castorp e a partir daí o romance segue de maneira breve, fugaz e rápida. O protagonista já não pode diferenciar os dias, as horas e minutos. Tomado pela monotonia da rotina os dias se somam uns aos outros e um ano não é mais que uma lembrança perdida na memória e na maturidade mal percebe quanto tempo passou entre o aniversário de 30 e 40 anos.
Mas, o ponto alto da obra são as reflexões filosóficas de Hans Castorp e os debates entre os personagens: Settembrini um típico humanista e Naphta que dá voz ao racionalismo, porém, mais que debates metafísicos a obra nos dá um panorama do pós-guerra de uma Europa sem identidade onde regimes totalitários e posições extremistas é pauta dos debates, um verdadeiro prelúdio da Segunda Grande Guerra. Todavia, não há descrição, debate ou reflexão que recheie 960 páginas e para tanto o romance é completo com diversos pontos culminantes e na medida em que o autor apresenta um retrato histórico também desenvolve a formação do protagonista.
E por isso tudo que essa obra figura entre as melhores do mundo, um livro divisor de águas não só de um estilo literário ou de uma época, mas irá dividir a sua vida em antes e pós Montanha Mágica será a hégira de sua trajetória e pode lhe mostrar que leitura é mais que uma forma de passar o tempo (...) é uma maneira de aproveitá-lo.
A persistência da memória é sem dúvida a obra mais famosa de Salvador Dali, que nos apresenta um tempo estático e maleável, contrario a qualquer concepção anterior a esta. A obra registra dois momentos históricos; o primeiro momento se refere a teoria da relatividade de Einstein que propõe um tempo maleável e relativo. O segundo momento foi pós Hiroshima em que os relógios da cidade ficaram estáticos e derretidos pela bomba. A imagem oferece um detalhe da obra que segundo Dali foi concebida em apenas 2 horas.
O Espaço continuo de tempo tem sido uma grande fonte de inspiração para filósofos, pintores e poetas dentre os quais Shakespeare foi quem teve a percepção mais lírica e sensível diante deste titã que a tudo consome e diz em um de seus sonetos.
Quando a hora dobra em triste e tardo toque E em noite horrenda vejo escoar-se o dia Quando Vejo esvair-se a violeta Ou que a prata preta a têmpora assedia
Quando vejo sem folhas o tronco antigo Que ao rebanho estendia sombra franca E em feixe atado o verde trigo Segue ao carro, a barba hirsuta e branca
Sobre tua beleza então questiono Se a há de sofrer do tempo a dura prova Pois a graça do mundo em abandono
Morre ao ver nascendo a graça nova E contra a foice do tempo é vã combate Salvo a prole se o enfrenta e abate.
tempo1 [Do lat. tempus, pela f. tempos, que foi sentida como um pl. port. de que se tiraria um singular.] Substantivo masculino.
1.A sucessão dos anos, dos dias, das horas, etc., que envolve, para o homem, a noção de presente, passado e futuro: o curso do tempo; O tempo é um meio contínuo e indefinido no qual os acontecimentos parecem suceder-se em momentos irreversíveis; “O tempo .... Horas de horror e tédio da memória...” (Manuel Bandeira, Estrela da Vida Inteira, p. 41).
2.Momento ou ocasião apropriada (ou disponível) para que uma coisa se realize: Não tive tempo para ler os jornais; Ainda é tempo de reconsiderar sua decisão.
3.Época (3): “O que se usava nesse tempo, como tratamento de respeito mais comum, ainda mesmo entre namorados de menor intimidade, era senhor e senhora.” (Miécio Tati, O Mundo de Machado de Assis, p. 134.)
4.As condições meteorológicas: O tempo está bom.
5.Estação, quadra: o tempo da colheita; o tempo da estiagem.
6.Certo período, visto do ângulo daquele que fala, com quem se fala, ou de quem se fala; época: No meu tempo o colégio tinha poucos alunos; Isso não é de teu tempo; No tempo dele as coisas eram outras.
7.O período em que se vive; época, século: É homem de seu tempo.
8.E. Ling. Cada um dos conjuntos de formas flexionadas em que se subdivide a conjugação de um verbo. [Embora tenha como princípio organizador a localização de uma situação em relação ao momento da fala, pode também traduzir aspecto (8) ou modo (9), como se depreende de termos da Nomenclatura Gramatical Brasileira: pretérito (indicação de tempo) perfeito (indicação de aspecto).]
9.E. Ling. A expressão gramatical da noção de tempo.
10.E. Ling. Período de tempo durante o qual uma unidade de fala é pronunciada.
11.Esport. Cada um dos períodos em que se dividem certas partidas: Os jogos de futebol compreendem, em regra, dois tempos.
12.Fís. Coordenada que, juntamente com as coordenadas espaciais, é necessária para localizar univocamente uma ocorrência física.
13.Mús. Cada uma das partes, em andamentos diferentes, em que se dividem certas peças musicais, como a sonata, a suíte, o quarteto, etc.; movimento.
14.Mús. Andamento (4).
15.Mús. Duração de cada uma das unidades do compasso: compasso de dois tempos; compasso de três tempos.
Tempo absoluto. 1. E. Ling. Tempo (9) que localiza uma situação em relação ao momento da fala, isto é, ao presente. [Basicamente, os tempos absolutos são o presente, em que se dá o ato de fala, o passado, que localiza uma situação como anterior ao presente, e o futuro, que localiza uma situação como posterior ao presente.]
Tempo astronômico. 1. Astr. Intervalo de tempo medido segundo as convenções da astronomia.
Tempo civil. 1. Astr. Tempo cuja origem é deslocada de 12 horas em relação ao tempo solar médio.
Tempo compartilhado. 1. Inform. Designação de uma modalidade de processamento em que o tempo do processador é dividido entre as tarefas em execução. [Cf. multitarefa.]
Tempo composto. 1. E. Ling. O que se conjuga com um verbo auxiliar: tenho dito.
Tempo da janambura. 1. Bras. V. tempo do Onça.
Tempo da salga. 1. Bras. AM Época em que se pesca e salga o pescado.
Tempo das efemérides. 1. Astr. Tempo cuja medida se baseia na duração do ano trópico de 1900, e que é independente da rotação terrestre.
Tempo das vacas gordas. 1. Período de prosperidade, abastança, riqueza.
Tempo das vacas magras. 1. Período de escassez, pobreza, penúria.
Tempo de acesso. 1. Inform. Intervalo de tempo entre o instante em que se pede um tipo de manipulação com dados (leitura ou gravação de dados) em um dispositivo de armazenamento, até o instante em que o resultado dessa manipulação é fornecido (disponibilidade ou gravação de dados); tempo de entrada.
Tempo de coagulação. 1. Hemat. Período de tempo necessário para que ocorra coagulação de sangue contido em tubo de vidro.
Tempo de D. João Charuto. 1. Bras. V. tempo do Onça.
Tempo de entrada. 1. Inform. Tempo de acesso.
Tempo de Friedmann. 1. Cosm. Lapso de tempo decorrido desde o bigue-bangue. [O tempo de Friedmann deve ser corrigido do parâmetro de desaceleração (q. v.), ao contrário do tempo de Hubble, que considera apenas a constante de Hubble.]
Tempo de geração. 1. Fís. Nucl. Num reator nuclear, tempo médio necessário para que os nêutrons produzidos numa fissão provoquem novas fissões.
Tempo de Hubble. 1. Cosm. Idade estimada do Universo com base no bigue-bangue. [Para um valor da constante de Hubble H0 = 55km por segundo por megaparsec, o tempo de Hubble é de H0-1 = 17,7 x 109 anos.]
Tempo de projeção. 1. Cin. Tempo decorrido na projeção de um filme; duração. [Cf. metragem (3).]
Tempo de relaxação. 1. Fís. Intervalo de tempo necessário para que um sistema afastado de sua posição de equilíbrio retorne a essa posição sem a ação de agentes externos.
Tempo de residência. 1. Eng. Ind. Intervalo de tempo em que um material permanece no interior de um componente determinado de um equipamento.
Tempo de resolução. 1. Fís. Num dispositivo contador de impulsos, intervalo de tempo mínimo que deve separar dois impulsos consecutivos para que o dispositivo os registre como dois acontecimentos distintos.
Tempo de resposta. 1. Inform. Tempo transcorrido desde o instante em que uma mensagem é gerada num terminal (q. v.), até o instante em que é recebida a correspondente mensagem de resposta. É o tempo que um sistema precisa para reagir a uma determinada entrada.
Tempo de sangramento. 1. Hemat. O período de tempo que dura a hemorragia que é provocada por punção, padronizada e controlada, em área escolhida, como, p. ex., lobo de orelha.
Tempo de vida. 1. Quím. Tempo necessário para que se reduza a 36,79% a concentração de uma substância ou a intensidade de um fenômeno.
Tempo de vôo. 1. Fís. Part. Tempo decorrido entre o instante em que uma partícula deixa uma fonte e o instante em que ela atinge o detector.
Desabar o tempo. 1. Bras. Pop. Chover forte.
De tempo a tempo. 1. De quando em quando; de vez em quando; de vez em vez; de tempo em tempo; de tempos a tempos.
Em dois tempos. 1. Muito rapidamente; num abrir e fechar de olhos.
Em tempo de. 1. Em risco de; a ponto de; a pique de: “Começou a dançar sozinha diante do mar, em tempo de ser engolida pelas ondas.” (Aníbal M. Machado, Histórias Reunidas, p. 189.)
Em tempo recorde. 1. Bras. O mais depressa possível; acima de qualquer prognóstico de tempo:
Fechar o tempo. 1. Bras. Fechar-se o tempo. Fechar-se o tempo. Bras. 1. Escurecer, ameaçando chuva. 2. Fig. Ter início um motim, uma desordem, uma briga. [Tb. se diz fechar o tempo.]
Ganhar tempo. 1. Adiar ou delongar a solução de um caso, a tomada de uma providência, etc., à espera de melhor oportunidade: Não podendo vencer a batalha, ganhou tempo até que chegassem reforços.
Lutar contra o tempo. 1. Tentar terminar uma tarefa, etc., antes que o tempo a ela destinado se esgote.
Matar o tempo. 1. Empregá-lo em ocupações que servem tão-só para evitar o tédio e a inação; distrair-se; recrear-se.
Não ter tempo nem para se coçar. 1. Não dispor de tempo para coisa alguma; andar atarefadíssimo.
Nesse meio tempo. 1. Nesse ínterim; entrementes.
Perder o tempo e o latim. 1. Aconselhar, pedir, argumentar ou explicar-se em vão.
As palavras no mundo virtual ganham um ar gringo criptografado, pois são raras as oportunidades em que o usuário irá se deparar com uma palavra em língua portuguesa, a não ser é claro, que este esteja em Portugal e encha a boca chamar seu mouse de rato. No mais é bom ter um dicionário sempre a mão para não se atrapalhar, entre um windows e um browser numa conexão dial-up, brandlarge ou rede wireless. Em contra partida aos termos estrangeiros estão as inúmeras siglas que se reproduzem numa velocidade alucinante de ASP a ZIP e tornam esse mundo cada vez mais dinâmico para quem usa e complexo pra quem trabalha.
Nossa vida é cheia de substantivos comuns, cotidiano insosso e feita cada vez menos do reino farto das palavras.
Deveríamos usar mais adjetivos para definir nosso mundo, sendo bons ou ruins, pois as palavras ultrapassam os limites de significação.
O que pode ser pra mim, pode não ser para o meu vizinho, use as palavras para discutir ou para agradecê-los por recepcionar aquela tão esperada correspondência enquanto viajava a negócio.
Afinal, mas que negócio é esse de usar as palavras?
Respondo essa pergunta com palavras, percebe?Elas fazem parte daquele cotidiano insosso que citei acima, fazem parte da vida de um surdo-mudo, ou até de um cão, que para ser domado, tem de ouvi-las.
Conjugue todos os verbos possíveis, faça das palavras, figurinhas. Troque as repetidas, e colecione o máximo que puder.
Escolha uma vida Escolha um emprego Escolha uma carreira, uma família. Escolha uma televisão grande... Maquina de lavar, carros, cd player, abridor de lata elétrico. Escolha saúde, colesterol baixo, seguro dentário. Escolha prestações fixas para pagar. Escolha uma casa. Ter amigos. Escolha roupas e acessórios. Escolha um terno feito do melhor tecido. Se masturbar domingo de manhã pensando na vida. Sentar no sofá e ficar vendo televisão. Comer um monte de porcarias. Acabar apodrecendo. Escolha uma família e se envergonhar dos filhos egoístas, que pôs no mundo para substituí-lo. Escolha um futuro Escolha uma vida.
Chupinhado do Filme Trainspotting - Sem Limites do Diretor Danny Boyle